| São Lourenço
de Almancil A
Igreja de São Lourenço
de Almancil, cuja origem
se perde na distância
dos tempos, parece ser
anterior ao século XVI.
Segundo o livro de
visitas dos visitantes da
Ordem de Santiago,
existente no Arquivo
Paroquial da Igreja
Matriz de Loulé em
1565,a Ermida de São
Lourenço de Almancil foi
reconstruída por
testamento de Rui Barreto
de Mascarenhas, do que se
depreende que em 1565 já
estava velha e com falta
de reparação. O dito
livro, com data de 1518,
fala desta Igreja , como
simples Ermida.
Somos,
pois, levados a crer que
esta Igreja, embora
sofrendo alterações
substanciais através dos
tempos, mergulha as suas
origens, pelo menos, no
século XV. Segundo
alguns dados que
dispomos, a obra de
azulejos e naturalmente a
talha da capela-mór
desta Igreja são
posteriores á à sua
construção; e a
confirmá-lo há uma
inscrição na abóbada
que diz: Feita no
ano de 1730, sendo
Vigário Geral o Ver. Do
Dr. Manuel de Sousa
Teixeira, Juiz do
Santo.
E
por cima da janela á
outra inscrição que
indica o nome de quem
executou a:
Policarpo d´Oliveira
Bernardes pintou esta
obra de azulejo.
Quem
visita esta Igreja ( e
muitos são os turistas
nacionais e estrangeiros
que o fazem diariamente )
fica maravilhado com a
notável obra de azulejo
de que se acha
completamente revestida
no seu interior.
O
autorizado mestre do
assunto, Engenheiro
Santos Simões, chama a
este templo
o
mais notável do
Algarve e, sem
dúvida, dos mais
extraordinários de
Portugal, o que
mesmo é dizer que no
género , dos mais
extraordinários do
mundo.
Consta
de uma velha tradição
que foram uns Condes que,
vindos do norte do País
acompanhados de amigos e
que permaneciam no sítio
de Ludo de que era
proprietários, durante o
tempo das caçadas,
mandaram forrar de
azulejos toda a igreja,
bem como a Capela mor de
talha dourada com o seu
altar de mármore de
várias cores e de
almofadas de alabastro
preto.
Por
tradição oral consta
que foram pintados fora,
não se sabe onde, e que
vinham em barcos até
á Ermida , para
nela serem devidamente
aplicados.
Quem
observa esta obra no seu
conjunto admira a
execução primorosa como
está feita.
A
cúpula é de uma beleza
tal que, segundo o livro
Tesouros
Artísticos de
Portugal é uma das
mais belas do País e
raríssima em toda a
Europa, só tendo
paralelo em Roma.
A
abóbada é pois da
cúpula, segundo o
Engenheiro Santos
Simões, a peça
principal deste notável
conjunto.
Por
todo o corpo da Igreja
há painéis alusivos à
vida de São Lourenço.
No
painel do lado direito do
altar, para quem olha de
frente, lê-se este
dístico ao fundo:
ET THESAUROS ECLESIA
DEDIT PAURIBUS
Este painel
representa São Lourenço
distribuindo pelos pobres
os bens da igreja, que
lhe eram confiados para
tal fim.
No
painel do lado oposto,
lê-se: LAURENTIUS
BONUM OPUS OPERATUS EST,
QUI SIGNUM CRUSIS COECOS
ILLUMINAVIT.O
painel explica
como São
Lourenço de cruz
na mão junto ao rio
Tibre faz um milagre a
favor de dois cegos,
restituindo-lhes a vida.
Descendo
o altar-mor, no primeiro
arco à esquerda lê-se
ao alto: NON EGO TE
DESERO FILI: POST TRIDUUM
ME SEQUERIS.
Descreve
este painel o diálogo
entre São Lourenço e o
Papa São Sisto, quando
este ia ser martirizado,
lamentando-se São
Lourenço de o Pontífice
não o levar consigo para
o martírio. São Sisto
anima seu diácono (São
Lourenço) dizendo-lhe
que três dias depois
será também
martirizado.
No
segundo arco há esta
inscrição:
CIRCUNDIDERUT ME UNDIQUE,
ET NON ERAT QUI
ADJUVARET. Este
painel representa a
prisão de São Lourenço
, que por ordem do Papa
São Sisto distribue
pelos pobres os tesouros
da igreja, isto é , as
esmolas que lhe eram
confiadas o que deu
motivo ser acusado ao
Imperador Valeriano, como
possuidor de grandes
riquezas , sendo por isso
preso, sem que ninguém o
defendesse.
No
arco ao centro do qual
está a pia de água
benta, lê-se: HIC
SUNT THESAURI ECLESIAE IN
QUIBUS CHRISTUS
EST. São Lourenço
apresenta ao imperador os
tesouros da Igreja, os
pobres nos quais Cristo
vive.
No
primeiro arcoà esquerda
para quem entra pela
porta principal, há esta
frase: DEUM MEUM
COLO, ILLI SOLI SERVIO ET
IDEO NON TOMEO TORMENTA
TUA. Trata da
intimação feita a São
Lourenço para renegar a
fé e adorar os falsos
deuses do Império a que
São Lourenço recusou,
dizendo que os deuses do
Império não merecem as
honras devidas ao Deus
verdadeiro ao qual São
Lourenço ama e serve.
A
segui a este arco há
outro no qual se lê:
IN CRATICULA TE
DEUM NON NEGAVI.
Como São Lourenço não
renegou á fé, o seu
corpo é colocado sobre
uma grelha para ser
queimado a fogo lento a
fim de ser maior o seu
suplício, na esperança
de se conseguir que
renegue a fé a que São
Lourenço resistiu
tenazmente.
No
meio de tão cruel
suplício, São Lourenço
, julgando-se já bem
assado de um lado pede ao
prefeito que o volte para
o outro lado e depois o
coma. Em tão horrível
martírio, Deus manda-lhe
um anjo para o confortar
na dor e levar sua alma
ao céu
. Sorrindo
na dor, São Lourenço
entrega a Deus o seu
espírito.
Morreu
no dia 10 de Agosto do
ano de 258.
São
Lourenço, um mártir que
tombou na terra. Mais um
santo que chegou ao céu.
São
Lourenço nasceu em
Huesca, cidade de
Espanha no reino de
Aragão, por meados do
século III.
É
esta a história, em
resumo, da vida de São
Lourenço que os azulejos
descrevem.
Dada
a importância do seu
valor artístico, a
Igreja de São Lourenço
de Almancil, conselho de
Loulé, Diocese do
Algarve, foi
classificada por
decreto Nº 35443, de 2
de Janeiro de 1946, como MONUMENTO
DE INTERESSE PÚBLICO.
Autêntico
tesouro de arte, esta
Igreja é talvez a mais
visitada de todo o
Algarve , esperando
também a vossa
visita como
contributo de
valorização do Tesouro
Artístico de Portugal.
A
IGREJA DE SÃO LOURENÇO,
SEDE DA PARÓQUI DE SÃO
JOÃO BAPTISTA DE
ALMANCIL
A
freguesia de Almancil foi
criada por decreto de
D.Maria II de 3 de
Janeiro de 1849, tendo
sido suprimida a
freguesia de São
Baptista da Venda, que
também era
conhecida por São
João da Venda dos Matos,
cujos sítios foram
incorporados na nova
freguesia bem como
alguns outros de São
Clemente de Loulé. Isto
por os habitantes de São
João serem poucos.
Dando
cumprimento ao Decreto
acima referido que manda
suprimir a
freguesia de São
João da Venda, o
Provisor Manuel Raquinho,
por Provisão Episcopal
de D. António Bernardo
da Fonseca Moniz , de 10
de Fevereiro de 1849,
declara suprimida a
Paróquia de São João
Baptista da Venda, onde
ainda se mantinha a sede
de freguesia de Almancil,
e transfere para a Igreja
de São Lourenço de
Matos, com a
designação de
freguesia de São João
Baptista de Almancil.
È
esta freguesia, pois,
numa pequena elevação
sobranceira à estrada
nacional 125 e a escassos
quilómetros de Faro se
situa a célebre
Igreja de São Lourenço,
tão notável pela sua
obra de azulejos que
fazem dela UMA
DAS MARAVILHAS DE
PORTUGAL
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